Com promoção, Eduardo Luz espera voltar a receber 520 clientes por dia  (Crédito: Gilberto Abelha/JL)

Empresários do setor gastronômico usam a criatividade para atrair clientes e enfrentar o momento econômico difícil.

O sócio do restaurante Ao Tempero Caseiro, Eduardo Luz, viu o faturamento do negócio cair 15% em 2015. A diminuição no número de frequentadores foi ainda maior. Em cada uma das duas unidades, o público médio do restaurante popular passou de 520 para 400 pessoas por dia – uma queda de 30%. Para fazer frente às perdas, Luz aposta na criatividade e tenta conquistar o consumidor pelo bolso. Desde a semana passada, ele oferece 50% de desconto em parte do buffet a estudantes que apresentarem carteirinha e a funcionários de uma das empresas do transporte coletivo.

Em 2015 o Ao Tempero Caseiro, que existe há sete anos, rompeu um ciclo de crescimento ininterrupto e teve, pela primeira vez, queda na movimentação. No ano passado, o faturamento havia aumentado 8%. Em 2013, o crescimento foi de 20% em relação ao ano anterior.

A aposta do restaurante é que – atraídos pelos 50% de desconto em guarnições e saladas – os consumidores também consumam carnes e bebidas. A expectativa do empresário é que, na medida em que a promoção fique mais conhecida, o público dos restaurantes chegue aos 520 frequentadores por dia – número registrado no ano passado, sendo 30% deles clientes que pagam “meia”. “No caso dos estudantes, estamos criando uma vantagem real para um público que só tem o benefício da meia-entrada para eventos culturais”, garante.

Supérfluo

A queda do movimento reflete o comportamento do consumidor, que tem evitado despesas consideradas supérfluas. Segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), no início do segundo semestre, 56% dos brasileiros acreditavam numa piora do cenário econômico e, destes, 47,7% mostraram intenção de cortar gastos com refeições fora de casa. A pesquisa ouviu 605 pessoas nas 27 capitais do País. Nas classes C, D e E, o índice dos que afirmaram que iriam comer menos em restaurantes e bares chegou a 55,7%.

Os números da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) são mais otimistas. A entidade projeta encerrar o ano com faturamento de R$ 153 bilhões no Brasil, crescimento de 9% em relação a 2014, quando o setor faturou R$ 140 bilhões.

Fidelidade

Com produtos voltados para as classes A e B, a dona da cafeteria O Armazém Café, Cristina Maulas, também oferece benefícios financeiros aos clientes. Para estimular o consumo de outros produtos, além do tradicional espresso, a cafeteria dá descontos para quem combina o café com um pão de queijo, por exemplo. Outra estratégia é o cartão-fidelidade, que oferece aos clientes um café ou um chá a cada dez espressos consumidos. “É bom para o negócio, porque aumenta o tíquete médio do cliente e para o consumidor que tem o benefício”, explica a empresária.

Para o diretor-executivo da ABRASEL no Norte do Paraná, Arnaldo Falanca, oferecer refeições mais completas por um preço competitivo é uma boa alternativa para atrair mais clientes. Falanca ressalta, no entanto, a necessidade de investir na qualidade do atendimento. Com menos idas ao restaurante, o cliente dá mais valor à experiência de comer fora e tende a ser mais exigente em relação ao serviço. “É hora de investir na qualificação e na profissionalização dos funcionários”, alerta.

Fonte: Jornal de Londrina